Não é sobre sexo. É sobre violência.
Sabe quando tu sais com um vestido curto ou uma calça jeans apertada e um indivíduo se acha no direito de passar a mão na tua bunda? E quando tu contas isso para alguém a pessoa ainda dispara: "mas também! Com uma roupa dessas".
Como assim???
Infelizmente, esse e muitos outros episódios semelhantes já aconteceram com muitas mulheres e essas coisas continuam acontecendo todos os dias. Foi algo que foi tão internalizado na nossa sociedade que acabou meio que sendo naturalizado, embora seja uma forma de violência.
A violência contra a mulher, seja verbal ou física, é um fantasma que assombra mulheres no mundo inteiro, seja negra ou branca, pobre ou rica, analfabeta ou universitária.
Estima-se que a cada 2 minutos 5 mulheres são agredidas no Brasil. A cada dia que passa 10 mulheres são assassinadas. 4 de cada 10 trabalhadoras são assediadas no seu local de trabalho, mas por medo ou vergonha, a maioria nunca denuncia.
No meio de tudo isso, o direito de se vestir com roupas justas ou curtas também lhes é negado com o argumento de que só “vadias”, “piriguetes” e “vagabundas” se vestem dessa forma e que se vestir assim é estar pedindo para sofrer abuso, tanto moral quanto sexual.
Mas afinal, quando uma mulher sofre abuso sexual, a culpa é de quem?
A criminalização da vítima se tornou algo tão constante que quase se esqueceu que o verdadeiro culpado pelo estupro é o estuprador e que a questão da vestimenta não é o verdadeiro motivo do abuso.
Sofremos violência simplesmente por sermos mulheres.
Chega! Temos que acabar com essa história de que a mulher que foi vítima de estupro provocou isso. A luta é contra essa exigência construída pela sociedade de um comportamento padrão em que a mulher tem que se enquadrar para que seja respeitada.
Pelo direito a liberdade iremos à Marcha das Vadias.
"Não diga como devemos nos vestir; diga aos homens para não estuprarem".
O que é essa tal marcha?
A Marcha das Vadias é um protesto sobre a violência contra a mulher.
Como surgiu isso?
A SlutWalk ou Marcha das Vadias teve início no Canadá em janeiro de 2011 quando ocorreram diversos casos de abuso sexual em mulheres na Universidade de Toronto.
Durante um seminário sobre segurança no campus, um policial disse às alunas que elas evitariam estupros se não se vestissem como vadias (“sluts”). Em resposta a conduta machista do policial, inúmeras manifestações surgiram em todo o mundo onde milhares de mulheres gritaram que são donas de seus corpos e que não aceitam a opressão social a que somos todas submetidas diariamente, seja em nossa casa, vizinhança, escola, trabalho ou universidade.
O manifesto passou por vários países como a Argentina, Holanda, Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Estados Unidos, chegando ao Brasil em junho, mais precisamente na cidade de São Paulo, passando depois por Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Brasília, Salvador e outras.
Agora chegou a vez de Belém.
Por que o nome “vadias”?
Somos chamadas de vadias por usarmos roupas curtas e por transarmos com quem quisermos. Somos chamadas de vadias simplesmente por sermos ousadas e por lutarmos pelos nossos direitos. E ainda hoje somos chamadas de vadias por sofrermos abuso sexual! O fato é que a sociedade sempre tentou dividir as mulheres entre as que devem ser respeitadas e as que não devem. As santas e as putas, as direitas e as vadias. A principal idéia da Marcha é acabar com esse divisionismo e dizer que TODAS as mulheres devem ser respeitadas. Por isso todas nos intitulamos vadias.
“Nós usamos o termo ‘vadia’ para nos referirmos à marcha como uma forma de protesto. Estamos cansadas de ser rotuladas pelo jeito que nos vestimos ou nos comportamos. Somos donas do nosso corpo. Nós somos vadias porque somos livres” - Rafaela Rodrigues, advogada e integrante da comissão organizadora do evento.
Por que ir às ruas?
No Brasil, aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano. Nos Estados Unidos, um levantamento estimou o custo com a violência contra as mulheres entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano. Somente na América Latina e Caribe a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres. O Pará é o terceiro estado no ranking de queixas de violência contra a mulher, são mais de 237 queixas a cada 50 mil mulheres paraenses, somando um total de mais de 15 mil queixas em menos de seis meses.
Portanto, nós vamos às ruas!
Vamos às ruas pela prevenção a violência, pelo direito a voz, pelo domínio de nossas vidas, pelo direito a segurança, pelo direito de dizer sim ou não sem sofrermos qualquer tipo de rotulação. Pelo direito ao respeito. Não somos mercadorias e nossos corpos não são objetos de prazer e consumo dos homens. Somos contra a lógica da cultura do estupro e contra as piadas que acabam reforçando e naturalizando tal conduta. Marchamos para sermos reconhecidas como MULHERES, como pessoas LIVRES e IGUAIS. Chega de dizer que uma mulher que faz sexo é vadia, e um homem que faz sexo é um garanhão. Pelo direito a nossa sexualidade.
Marchamos para combater essa sociedade que educa as mulheres para não sofrerem abuso sexual, porém não ensina os homens a NÃO estuprar.
Quando e onde vai ser a marcha?
Agora é a vez de Belém fazer a sua marcha!
A Marcha das Vadias será no dia 28 de agosto de 2011 (domingo).
Itinerário: Escadinha do Porto/ Estação das Docas via Av. Presidente Vargas até a Praça da República.
Concentração às 9h da manhã.
Fontes: Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Wikipédia, IBOPE.


2 coisitas:
Ta ai uma coisa interesante, gostei muito do texto, concordo quando diz que "Não diga como devemos nos vestir; diga aos homens para não estuprarem".
Na maioria das vezes é isso mesmo que acontece, só por que meninas passam com shorts curtos garotos pensam que elas estão oferecedo-as para eles.
Um certo dia numa rodada de amigos, na praça passou uma garota com mais ou menos 15 anos com de idade com short de lycra e blusa de decote, um estupido no meio de nós disse "essa menina ta pendindo pra ser violentada" o mesmo ato ele foi questionado por todos os outros e continuou falndo que é isso que era queria, achei um verdadeiro absurdo, falei pra ele "e se fosse sua irmã" ele me respondeu que não sendo com ele tudo bem.
Uma cara desse alem de não ter amor pelas mulheres não tem amor nem pela propria familia.
As mulhere tem que ser respeitadas de todas as formas póssiveis sem descriminação de cor, raça, religião ou classe de vida. todas merecem e devem ter direitos iguais e ser respeitadas por todos.
Todos são iguais perante a lei, e isso não é com relação a roupas. A violência para ter um freio depende na maioria das vezes da própria mulher. Precisa ter a atitude de denunciar.
Agora como confiar em uma justiça inoperante? Que mais valoriza o bandido do que a vítima.
É triste não só a situação das mulheres mas de todo o cidadão brasileiro!
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