Eu escrevo pandemônios, escrevo coisas sem sentido e cada vez mais egocêntricas. Às vezes eu não tenho escrúpulos, às vezes eu tenho demais. Só queria dizer que quase sempre eu lembro. Quase sempre lembro de palavras jogadas ao vento. Elas sempre se escondem em minha alma, no lugar mais secreto do meu coração bobo.
Eu lembro de lágrimas quase derramadas e de palavras que doem um pouco.
Não se magoe se eu não quiser ouvir... é que às vezes dói demais... e eu não preciso dessa dor.
Eu fiquei feliz quando te vi, feliz porque percebi que alguma coisa importa. Alguma coisa sempre importou. Nem tudo é para sempre.
E como eu te disse, com a cevada, meus pensamentos ficam mais velozes e eu consigo expressar coisas que até então teimavam em ficar escondidas.
Escondidas porque eu sou “durona”, porque talvez eu não seja um ser humano.
Eu vi fogo na cabeça de um homem e vi a luz de um poste ficar embaçada. Vi um olhar me acompanhar em um banco que se movia enquanto as lágrimas caiam e minha alma se tornava transparente. Eu sempre te amei lindamente, só esqueci como se demonstrava isso... acho que aprendi tarde demais...
As pessoas não entendem...
Não entendem o quanto eu morro de ciúmes e o quanto eu me fecho em um mundo circular. Eu nunca disse certas coisas a ninguém, nem para esvaziar o peito, nem para contar poesias.
Sei lá, certas coisas a gente não entende, certas coisas a gente não move. Eu não sei mais o que fazer, essa é a verdade.
Talvez eu não goste das coisas que não sejam “totalmente sinceras” ou recíprocas, por isso eu não te procuro, para não perceber que falta alguma coisa, que falta um coração. Nada do que é feito sozinho tem sentido.
Não quero me meter em situações em que talvez eu não seja bem-vinda, nem em situações em que ninguém sinta minha falta no final.
Ninguém sabe a dor que eu sinto, mas eu sei que um dia ela vai passar, ela sempre passa!
Ouça só um pouquinho o som dos passarinhos e não deixe de acreditar em quem olha diretamente nos teus olhos.
Me abrace, só um pouquinho e minta dizendo que tu não me viste chorar, que tu não percebeste o quanto que doeu. Segure minhas mãos de forma tão forte que eu não possa tirá-las e permita que eu te olhe nos olhos novamente. Só um pouquinho.
Eu estava bem... sim, eu estava bem.
Conte-me mais dos seus segredos e esqueça (só minta que esqueceu) tudo o que te falei. Mas de vez em quando dê indiretas para que eu saiba que alguma lembrança ficou.
Puxe a outra perna! Só por dois minutos, para que nos sintamos livres o resto da vida.
Me ligue de vez em quando ou então vá me buscar naquele lugar, só para eu me sentir viva. Me segure por dois segundos e permita que uma única lágrima caia em meu ombro, só para eu ter um pouco do teu coração em minha alma.
Esqueça o resto do mundo. Só naquele momento. Só para eu esquecer o egocentrismo e deixar de ser tão enigmática. Será que eu sou?
Deixe-me sentir que ainda sou especial e me deixe com minha dor... talvez assim eu aprenda mais...
Ah! Esqueça tudo o que disse. Tudo vai ficar bem.